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3º Fórum IBTeC de Inovação encerra a Semana do Calçado 2017

3º Fórum IBTeC de Inovação encerra a Semana do Calçado 2017 11 OUTUBRO

O 3º Fórum IBTeC de Inovação fechou com chave de ouro a Semana do Calçado 2017, que aconteceu de 1º a 5 de outubro em Novo Hamburgo/RS. Durante o período, foram realizados sete eventos numa iniciativa do IBTeC e Sebrae, em conjunto com as entidades setoriais Abicalçados, Abrameq, Assintecal e CICB, e o Grupo Couromoda. Antes da abertura oficial do Fórum foram revelados os vencedores da maratona desafios tecnológicos voltados para o setor calçadista, lançada durante o IBTeCHDAY - evento que abriu a Semana, no último domingo. Participaram 13 equipes, somando 36 participantes, e a comissão avaliadora selecionou seis projetos para concorrer a dois prêmios.

1º colocado

Em primeiro lugar ficou o projeto Indústria 4.0 - Informação em tempo real, desenvolvido por Alexandre Schumacher, Douglas Cunha, Leonardo Souza e Luis Ricardo Oliv. O grupo, que desenvolveu um sistema de serialização do calçado e controle de estoques sustentado por uma plataforma big data, recebeu como prêmio passagens ao Vale do Silício com visitas às sedes de Facebook, Google e Apple.

2º colocado

O projeto Forrest Run, de Luiz Henrique Simon, Leonardo Alves, Shoichi Kakuta e Roberto Gaspar, foi classificado em segundo lugar. O grupo desenvolveu um sistema que auxilia o usuário a identificar o momento de trocar um calçado de performance, o que pode ajudar a prevenir lesões, e recebeu como prêmio passagens e inscrições para o Campus Party 2018, maior maratona tecnológica do Brasil.

Logo após a premiação teve início o ciclo de palestras que precedeu a um debate organizado pelo IBTeC e o Grupo Editorial Sinos. O primeiro palestrante da noite foi Felipe Ost Scherer, diretor da Innoscience Consultoria, que falou sobre a inovação colaborativa a partir da análise de projetos de grandes indústrias. A segunda palestra foi realizada pelo diretor executivo do Centro de Inovação em Processos Produtivos da Fundação Certi, Carlos Alberto Fadul.

Inovação Colaborativa

Felipe Felipe Ost Scherer - diretor da Innoscience Consultoria

Para Scherer, na economia altamente interligada, as empresas não são mais reconhecidas individualmente por sua qualidade de inovadora, mas sim por estarem inseridas em uma cadeia de valor inovadora e colaborativa. Ele apresentou casos bem sucedidos a partir dessa experiência. Na Alphaville Urbanismo, por exemplo, a inovação teve a participação dos fornecedores, resultando em novidades relacionadas tanto a tecnologias quanto a materiais para a construção. Em outro exemplo, a cooperativa de funcionários do Banrisul (Banricoop) usa a colaboração com startups para apoiar seus associados.

O palestrante citou ainda o exemplo da Braskem Labs, também com colaboração de startups, e o projeto da Coca-Cola, que, a partir da colaboração dos consumidores finais implantou seu projeto de embalagem sustentável com o uso de garrafas retornáveis. O palestrante falou ainda sobre projetos desenvolvidos pela Innoscience para o Polo calçadista de São João Batista/SC, com 12 empresas fornecedoras trabalhando de forma colaborativa para o desenvolvimento de componentes como enfeites impressos na tecnologia 3D, solados e palmilhas.

Para o palestrante, os principais desafios são a falta de clareza sobre o que realmente se pretende, e também situações em que a empresa incubadora tenta interferir na startup para que passe a trabalhar como ela própria já está acostumada. “O que se busca é justamente o contrário, para que se encontre novas soluções explorando caminhos diferentes”, esclareceu.

Carlos Alberto Fadul - diretor executivo do Centro de Inovação em Processos Produtivos da Fundação Certi

Na segunda palestra, Fadul falou sobre a forma como a instituição trabalha a inovação colaborativa em diferentes setores da economia e apresentou alguns dos projetos de sucesso. Segundo ele, a fundação solucionou a questão da implantação de projetos de indústria 4.0 montando um laboratório dentro da instituição, para rodar os pilotos antes de aplicar os projetos dentro das indústrias, aumentando as possibilidades de sucesso das inovações. “Inovar visando a indústria 4.0 é dispendioso, e por isto no Brasil ainda se encontra resistência a aportar investimentos na área, mas o maior custo para uma empresa é optar por não inovar”, determinou ele, citando o caso da capital catarinense, Florianópolis, cuja administração transformou o perfil de arrecadação do município que, após uma mudança de mentalidade do poder público e do setor privado, passou a obter mais recursos a partir da implantação de um sistema de tecnologia e inovação, superando até mesmo o setor de turismo neste quesito.

Painel sobre Inovação na prática

O painel Exclusivo Debates teve a participação da Dra. Alessandra Mascarello, coordenadora de Inovação Radical do Aché Laboratórios, do presidente da Calçados Bibi, Marlin Kohlrausch, do gerente da Regional Vale do Sinos, Caí e Paranhana do Sebrae/RS, Marco Copetti, e do presidente-executivo do IBTeC, Paulo Griebeler. A mediação foi realizada pela jornalista Editora do Jornal Exclusivo, Roberta Pschichholz.

Dra. Alessandra Mascarello, coordenadora de Inovação Radical do Aché Laboratórios

Alessandra lembrou que a indústria farmacêutica tem um processo de inovação extremamente demorado, com prazos que podem chegar a 15 anos desde o momento em que a indústria cria uma nova tecnologia até ela chegar como um novo produto ao mercado consumidor. Afirmou ainda que o Grupo Aché destina 10% de sua receita liquida para sua área de inovação e enfatizou a importância da colaboração na inovação da empresa, que busca apoios para seus desenvolvimentos nas universidades e em colaboração com laboratórios de pesquisa do mundo inteiro. Para manter acesa a chama da inovação, foi criada Academia Aché de Inovação, incentivando os colaboradores a participarem. Em 2016, primeiro ano de funcionamento do projeto, foram apresentadas 419 ideias. Em 2017, até setembro, já foram 700 sugestões dos colaboradores internos.

Marlin Kohlrausch - presidente da Calçados Bibi

Marlin Kohlrausch falou sobre a experiência da Bibi, que tem o propósito de transformar a sua marca em objeto de desejo global e hoje exporta para 70 países de cinco continentes. No mercado interno, a indústria decidiu recentemente apostar em lojas próprias, através de franquias - a expectativa é fechar 2017 com 110 lojas abertas. Gerando 1.500 empregos diretos, a empresa aposta em um consumidor que se dispõe a pagar mais por calçados construídos a partir de premissas de preservação da saúde e conforto dos seus usuários, que são crianças de zero a nove anos.

Por isto, a indústria vem promovendo colaboração com institutos de pesquisa e inovação como o IBTeC, por exemplo, com o qual desenvolveu um calçado que só usa componentes livres de substâncias químicas nocivas à saúde e ao meio ambiente. Para o desenvolvimento de calçados com diferenciais de alto impacto junto ao consumidor, a Bibi mantém canais permanentes de discussão com seus fornecedores, com os lojistas e com os consumidores finais, além de incentivar internamente a mentalidade da inovação entre os colaboradores, com programas que premiam boas ideias, em qualquer área da empresa.

Marco Copetti - gerente da Regional Vale do Sinos, Caí e Paranhana do Sebrae/RS

O gerente da Regional Sinos, Caí e Paranhana do Sebrae-RS, Marco Aurélio Copetti, falou sobre a realidade das micro e pequenas empresas, que pela falta de recursos têm mais dificuldades em inovar, e mencionou uma série de programas de apoio, como o Sebraetec, e também ferramentas de estímulo para as empresas buscarem recursos através de editais.

Neste sentido, há oportunidades com subsídios de até 70% em projetos para as empresas que estão em seu foco de atuação e buscam implantar a inovação tecnológica no seu negócio - seja em melhoria de processo, design do produto, layout, aumento da produtividade, atualização tecnológica e que visem a aumentar a competitividade. De acordo com Copetti, 76% das micro e pequenas empresas no Brasil não inovam, mas o Sebrae trabalha cada vez mais para que tenham acesso a recursos e apoios para garantir o sucesso de suas inovações.

Apenas 8% das indústrias de base inovam no Brasil e, além disso, 62% do empresariado brasileiro é extremamente conservador e avesso às novas tecnologias e isso é um problema a ser resolvido no nosso País. O Sebrae, ciente dessa realidade, atua permanentemente no sentido de criar condições para que as MPE melhorem o seu perfil tecnológico.

Paulo Griebeler - presidente executivo do IBTeC

Griebeler mencionou os 45 anos do instituto, que são comemorados neste ano, e falou da estrutura da instituição, que com 85 colaboradores atende 800 empresas brasileiras e 15 internacionais por ano, com cinco laboratórios acreditados nacional e internacionalmente. Griebeler também lembrou instituições com as quais o instituto tem projetos de colaboração, como Sebrae, Badesul, universidades e parques tecnológicos, por exemplo.

O executivo também fez o lançamento oficial da Plataforma GSI, desenvolvida pelo Núcleo de Inovação Tecnológica do IBTeC para o gerenciamento dos projetos de inovação desenvolvidos pela instituição. Na plataforma, que já tem 23 projetos em andamento, envolvendo 200 empresas e 3.000 pessoas, as empresas podem acompanhar em tempo real todo o andamento do seu trabalho, de qualquer dispositivo - smartphone, computador ou tablet. Griebeler concluiu divulgando a data de realização da Semana do Calçado 2018, que está agendada para acontecer de 23 a 24 de setembro de 2018, com possibilidades desse período ainda ser ampliado.