Notícias

“Para onde o mercado de EPIs está caminhando?” foi o tema da última edição do Happy Hour de 2017

“Para onde o mercado de EPIs está caminhando?” foi o tema da última edição do Happy Hour de 2017 22 DEZEMBRO

O mercado de calçados de segurança no Brasil está cada vez mais competitivo e desafiador para os empresários do setor. Uma luta por preços acirrada exige que os competidores e fabricantes se reinventem a cada dia. Atualmente o preço médio de um calçado de segurança está na faixa de R$ 33,00, segundo dados da ANIMASEG, enquanto há 2 anos a mesma pesquisa apontava R$ 38,00 (redução de 15% do preço).

Como, então, inovar as funcionalidades e performance, reduzindo custo e mantendo margens viáveis para perenidade das organizações? Para onde está caminhando o mercado de EPIs no Brasil, frente as tendências globais que vem acontecendo?

Responder a estas e outras perguntas foi o objetivo do último Happy Hour com Tecnologia realizado pelo IBTeC, no dia 5 de dezembro. O gestor de projetos da Sense Inteligência Organizacional, Deivis Fabiano Gonçalves foi convidado para falar sobre o futuro do setor, e sobre o que viu na feira A+A, a maior feira de Saúde e Segurança do Trabalho (SST) do mundo, realizada em Dusseldorf, na Alemanha, de 17 a 20 de outubro.  Com 70.000 metros quadrados, o evento teve 1.900 expositores, de 63 nacionalidades e foi visitada por 67.000 pessoas do mundo todo.

Deivis abriu a palestrante lembrando que o mundo mudou, e ele continua mudando, continua se transformando. As exigências das pessoas crescem na mesma velocidade. Mais importante que prever o futuro, é adquirir a capacidade de enfrentar novas mudanças, adotar novas atitudes, mudar a visão de mundo e inovar.

Não se sabe como o mercado estará daqui a dez anos, mas certamente quem souber inovar estará em vantagem em relação àqueles que não fizerem, acredita o palestrante.

“A estratégia de marketing destes produtos tem que vir junto com as informações sobre as tendências de mercado e de produtos de EPI para que a gente consiga enxergar o mercado e se posicionar de uma maneira diferenciada”, preconiza o gestor de projetos.

Cenário Brasil

O mercado de EPIs no Brasil é um mercado com pouca inovação. O visual é muito simples, e todos os fabricantes têm os mesmos produtos. Esta semelhança entre produtos dificulta a venda de valor das marcas, porque o consumidor nem consegue diferenciar uma marca da outra, tal a semelhança, entende Deivis.

O preço médio é baixo, e ao longo dos anos, se mantém, sem sofrer inflação, mesmo com os custos aumentando. Como não há uma percepção de valor – os calçados são muito básicos, é muito difícil discutir preços com o mercado.

O setor investe pouco no visual, o que poderia agregar valor aos produtos. No Brasil já se vêem alguns movimentos em relação ao visual – há empresas tentando fazer investimentos.

O palestrante afirma que a indústria dos calçados de segurança é lenta na absorção de inovações - um dos aspectos que precisa ser mudado, para garantir agregação de valor aos produtos finais. Hoje o setor atua de forma reativa, quando o ideal seria buscar inovações antes que elas sejam exigidas por normas regulatórias.

De acordo com Deivis Fabiano Gonçalves, este posicionamento inclui os fornecedores, que também não apresentam novidades que auxiliem no desenvolvimento do setor.

O mercado é interessante e promissor. Houve uma retração de vendas com a crise, mas é um mercado que tem crescimento 10 pontos percentuais acima do crescimento do PIB brasileiro. Este é um mercado de muitas oportunidades, acredita Deivis, porque tem um PIB de R$ 1,6 bilhão de reais. O Brasil produz 127.000 pares de calçados de segurança por dia.

Estudo de tendências do mercado

As megatendências de mercado apontam que os consumidores estão cada vez mais exigentes. O mercado está mostrando descontentamento com o conforto dos calçados de segurança, um dos aspectos que precisam ser trabalhados. A tendência é de que o preço deverá deixar de ser prioridade, dando lugar à questão do conforto, antes do visual.

Mercado

O mercado europeu, responsável por 31% de todo o faturamento com a produção de calçados de segurança do planeta, é referência para os fabricantes de calçados de segurança. A Europa produz cinco vezes mais calçados de segurança que o Brasil e é a região do Planeta onde está o maior consumo destes produtos.

Trata-se de um mercado de goza de maturidade, pelo tempo que se dedica ao setor. Enquanto o valor médio do produto básico na Europa é de R$ 104,00, no Brasil é de R$ 33,00. Os diferenciais dos produtos europeus estão em design, conforto, qualidade, e desenvolvimento para contribuir com o desempenho do trabalhador que usa o EPI.

Caminho que temos que seguir

Deivis falou da importância de conhecer as novidades tecnológicas para serem agregadas aos produtos, mas tão importante quanto é estabelecer estratégia de entrada para que estes produtos sejam absorvidos por um mercado que também é cada vez mais exigente. Para isto é preciso analisar a estratégia, definir o mercado e o produto, a tecnologia de processos e aí sim chegar ao mercado.

Uma forma de buscar diferenciação é atuar por nichos de mercado, atendendo necessidades específicas. Um calçado de segurança atendendo itens específicos pode ter um preço diferenciado, por exemplo. É a forma de se sair da concorrência por preço. Para trabalhar por nichos é necessário tornar-se especialista, conhecer as necessidades daquele mercado. Isto proporciona a possibilidade de se diferenciar.

Sugeriu a integração entre as áreas da indústria – marketing, produto & desenvolvimento, e comercial, para juntos definirem a forma de comunicar ao mercado as características do produto e os benefícios que ele traz para o usuário e melhorar a comunicação do setor, que ainda é muito técnica e pouco entendida por quem compra os produtos.

O que se viu na A+A

Substituição de materiais no cabedal, com o uso de soluções tecnológicas que agregam valor a partir da leveza dos produtos e consequente conforto. Outra inovação interessante observada na A+A deste ano foi a utilização de solados com transpirabilidade – com palmilhas que permitem que o calor do pé passe pelo solado, mantendo o pé mais seco.

Calçados poliméricos estão crescendo como soluções para higienização sem afetar a qualidade do produto e para evitar escorregamento. São usados por profissionais que atuam em ambientes como restaurantes, frigoríficos, e até mesmo por profissionais da saúde. Os poliméricos não absorvem manchas e mantêm o pé sempre seco; é um material que tem um custo competitivo, e oferece um calçado mais durável e mais confortável.

Solados com amortecimentos diferenciados também apareceram como tendência em inovação na A+A. Materiais que melhoram a absorção de impacto da pisada, como forma de garantir mais conforto e reduzir dores na planta dos pés.

Cabedais em malha tricotada estão sendo usados também em calçados de segurança. É uma novidade que está sendo trazida pelos fabricantes europeus. Não é para todos os setores – alguns segmentos poderão absorver este calçado que prima pelo conforto, além do design. Reduz a necessidade de costura em 90%. É uma montagem rápida e que reduz a necessidade de mão-de-obra.

Cabedais com microfibra também tiveram destaque na feira realizada na Alemanha.

Solado colado e cabedais com alta frequência também apareceram com força na feira. Uma opção tecnológica que reduz custos com mão-de-obra.

O que se percebeu na feira é a inovação em design, para fazer calçados diferentes; com identidade, afirmou Deivis, salientando que tem que mudar a forma e o bico; mexer na sola. Tudo isto exige investimentos em desenvolvimento, que precisam ser feitos.

O desenvolvimento de linhas de calçados femininos, com design, forma diferente, para atender às especificações delas, tornando o calçado mais atrativo, é um filão que precisa ser explorado no Brasil, defendeu o palestrante.

Nas tecnologias de processo, o que se tem como tendência é a automatização do corte e de costura, o que exige investimentos, mas é viável, porque traz ganhos importantes para a produtividade, porque reduz os custos. Por que não se beneficiar da tecnologia para melhorar a produtividade e reduzir custos?

Na montagem já existe tecnologia para automatizar – citou tecnologia String, que reduz o custo do produto e acaba com a necessidade de palmilha de montagem, porque o sistema é mais seguro.

Para finalizar, Deivis lembrou que “a gente precisa inovar, aplicar novas tecnologias e mudar na nossa gestão e nos processos para poder alcançar resultados diferentes”.