Notícias

A realidade da automação industrial no setor coureiro-calçadista foi avaliada no Happy Hour de 2 de junho no IBTeC

A realidade da automação industrial no setor coureiro-calçadista foi avaliada no Happy Hour de 2 de junho no IBTeC 04 JUNHO

Com a mediação do Presidente Executivo, Paulo Griebeler, o Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Caçado e Artefatos - IBTeC, promoveu no dia 2 de junho de 2021, mais uma edição do Happy Hour com Tecnologia, com o tema “A realidade da automação industrial no setor coureiro-calçadista.

Como debatedores, o Presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos para os Setores do Couro, Calçados e Afins - Abrameq, André Nodari; o Diretor de Pesquisa e Desenvolvimento do Grupo Sazi, Anderson Zini e o Coordenador de Engenharia do Grupo Sazi, Eduardo Bossle, e o Coordenador Técnico do IBTeC, Paulo Model.

Paulo Model, abriu o evento falando sobre a realidade da indústria calçadista brasileira. Na avaliação dele, a introdução da automação no setor iniciou com a máquina de corte. Ela mudou muita coisa - desde o aproveitamento do material, passando pela produtividade e a eliminação da necessidade de produzir navalhas, em um processo que é muito demorado. “Foi uma mudança importante, que revolucionou o início do processo de produção”, afirmou Model.

No setor de costura, a chegada das máquinas programadas trouxe uma grande mudança para a indústria de calçados, além da redução da necessidade de pessoal para apenas um terço - onde eram necessárias três pessoas, hoje uma única garante o mesmo volume de produção.

Máquinas de montagem de calçados foi outro setor da indústria de calçados que foi revolucionado pela chegada de máquinas automatizadas.

Na aplicação de adesivos, ainda muito comum na indústria de calçados, hoje existem processos automatizados que dão uma excelente rentabilidade, reduzindo o desperdício de materiais, o que tem feito uma grande diferença dentro das empresas.

Foram algumas das automações que modificaram a cadeia calçadista nos últimos 15 anos, afirmou Model, salientando que “o tempo é um dos itens mais importantes para a produtividade da indústria calçadista. Hoje, a automação está em praticamente todas as instancias, em todos os setores.

O Presidente da Abrameq, André Nodari, afirmou que “a realidade da automação na indústria no Brasil está muito atrás, em relação a outros países”. No segmento de curtumes, todas as operações da área de curtimento são automatizadas - pesagem de produtos usados para o processo, dosagem de componentes e controle de temperatura para que o processo aconteça de forma precisa. Na finalização, a medição, pintura, secagem da pintura e pesagem é toda automatizada, através de sistemas de esteiras, com máquinas automatizadas e extremamente tecnológicas.

Hoje, a indústria tem novos motivos para crescer - preocupação com sustentabilidade, segurança do operador e do ambiente e rastreabilidade de todo o processo industrial. Para que tenhamos crescimento na indústria, na avaliação de Nodari, “precisamos de boa engenharia, financiamento adequado (com boas taxas de juros, e não o que temos aqui no Brasil), ambiente econômico estável e finalmente, uma certa dose de audácia”.

O Coordenador  de Engenharia do Grupo Sazi, Eduardo Bossle, iniciou sua fala lembrando que o setor quer produzir o máximo com menores gastos e com segurança implementada. Na Sazi, foram os investimentos feitos internamente para ganhar eficiência que fizeram a diferença. Anderson Zini, Diretor de Pesquisa e Desenvolvimento, afirmou que "nesta época de pandemia, a Sazi fez diversos investimentos na área produtiva, como uma nova linha de pintura a pó, que trabalha de forma híbrida - manual e automatizado - com capacidade de produzir até 300.000 peças/mês". Também um novo forno de usinagem com cinco eixos que pode ser programado de forma a reduzir predas no processo e diminuição do tempo de setup, sendo muito mais produtivo. A empresa também investiu em um novo centro de solda, com mais resultados. Agora trazendo um conceito de solda a laser, usinando de forma mais rápida as peças. O Grupo Sazi está trabalhando muito forte para entregar produto de melhor acabamento e melhor qualidade no final.

A Sazi tem ainda um software de monitoramento do equipamento, sendo usado dentro das linhas produtivas da própria empresa, para ter informações precisas sobre a produção da fábrica.

Eduardo também afirmou que aplicando o software que a Sazi fez para a indústria calçadista na sua fábrica, conseguiu ter ideia real da eficiência. O software ajuda a mostrar os gargalos que ainda se tem em todos os processos. A Sazi trabalha fortemente em softwares, em colaboração com terceiros, para otimizar os resultados. A empresa entende que os softwares são essenciais para mostrar a inovação e apontar caminhos para a evolução.

De acordo com Anderson, a Sazi foi a segunda empresa a ter uma máquina de corte laser no Rio Grande do Sul. “Nós gostamos de ver o produto, a máquina, o hardware, mas temos que investir mais nas pessoas, em treinamento de pessoas e também em processos de gerenciamento de projetos”, afirmou o diretor.

Os dois palestrantes que falaram pela Sazi fizeram no Happy Hour com Tecnologia o lançamento de um robô de aplicação de adesivos em solados. O equipamento faz um scanner 3D de cada solado, sem a necessidade de pré-programação. O adesivo é aplicado de forma totalmente automática. Uma das vantagens é a redução do uso de adesivos, de mais da metade do consumo.

Perguntado se é possível automatizar toda a produção da indústria calçadista, Paulo Model respondeu que “a produtividade praticamente dobrou na indústria de calçados nos últimos 20 anos, e que a contribuição da automação foi fundamental neste processo. Não é só automação no processo fabril. É em tudo, na engenharia, na administração, na logística - em todas as áreas.

O Happy Hour com Tecnologia do IBTeC tem como patrocinadores: Solvay Group / Rhodia, Zahonero, NIT/IBTeC e Revista Tecnicouro.