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Calçados de Segurança: Evolução tecnológica e tendências de mercado

Calçados de Segurança: Evolução tecnológica e tendências de mercado 29 JULHO

Para fazer uma análise sobre a situação do mercado de consumo de calçados de segurança e as evoluções tecnológicas oferecidas pelos fabricantes, o Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos - IBTeC - convidou representantes de empresas que são referência neste mercado. O encontro, no formato de live, aconteceu no final da tarde de quarta-feira, 28 de julho, com transmissão pelos canais oficiais do IBTeC no Facebook - https://www.facebook.com/ibtecbrasil/ e no Youtube -  https://www.youtube.com/ibtecbrasil, onde ainda pode ser vista.

Sob a mediação do coordenador da Unidade Materiais do IBTeC, Ademir de Varga, falaram sobre o tema o diretor de Marketing da Marluvas, Danilo de Oliveira; o técnico comercial de produto do Grupo Viposa, Luis Fernando Bianqui, e o sócio administrador da New Sense Safety, Deivis Gonçalves.

O mediador abriu os debates perguntando sobre como ocorre a inovação de produtos dentro de cada uma das empresas.

Danilo de Oliveira, da Marluvas, afirmou que na verdade qualquer processo de inovação começa com o olhar muito direcionado para o cliente, para saber o que ele está precisando. O fabricante precisa saber o que o usuário do EPI está precisando para ter melhor desempenho, para performar melhor o seu dia a dia, para estar mais seguro. De acordo com Danilo, este comportamento faz parte do DNA da Marluvas. Na sequência, a empresa investe em pesquisa de materiais e estudos laboratoriais, para ver se o que aquilo que a gente produziu está condizente com as necessidades do cliente, se ele tem viabilidade econômica e de produção. Ele finaliza lembrando que “tem que ver se tem o equilíbrio de custo e benefício para oferecer o melhor para o seu mercado”.

Luis Fernando Bianqui afirmou que “a Viposa, assim como as empresas de modo geral, tem alguns segmentos-foco, onde o produto é usado de uma forma mais incisiva, o que nos dá uma performance mais assertiva, a partir do entendimento da necessidade do cliente. Com isto nos aproximamos cada vez e entendemos estas necessidades, trabalhando de forma a atender cada vez com mais aplicação de tecnologias que contribuem para isto”. O executivo lembrou a questão dos solados, “que antigamente eram feitos a partir do uso resíduos de pneus, e acabamos vendo que isto não atendia, porque os calçados não eram confortáveis. Luis Fernando Bianqui chamou a atenção para o fato de que a partir do feedback dos clientes, os materiais foram melhorando, as empresas foram pesquisando novos materiais, para melhorar em todos os aspectos.

Deivis Gonçalves afirmou que a NSS nasceu a partir do DNA de inovação. Trabalhando por muito tempo com o setor de EPIs, ele disse que sempre percebeu que havia um distanciamento entre o atual EPI do mercado com tudo o que acontecia no nosso cotidiano. “A gente vivia a era da transformação tecnológica, a partir de tecnologias, e o setor de EPIs não acompanhava. Por muito tempo o calçado de segurança ficou em um formato e um modelo muito distante de toda a evolução que aconteceu nos outros setores. Quando criamos a NSS, a gente quis justamente trazer algo que estivesse mais dentro da realidade cotidiana”. Explicou que focaram em materiais, e tecnologias de conforto, aproximando o EPI de um calçado para o dia a dia. “A ideia é que o calçado tenha um design moderno e atual. A inovação está presente em todo o produto. Mesmo o trabalhador mais simples usa um produto da moda no final de semana; então ele tem acesso e experiência com algo melhor. E por que na segunda-feira ele precisa usar algo com menos tecnologia para trabalhar”? O objetivo, segundo Deivis, é trazer para o mercado um calçado diferente.

 

Logística reversa ainda é um problema para os EPIs

Perguntados sobre a destinação final de calçados, de logística reversa, Danilo de Oliveira, da Marluvas, afirmou que este processo ainda não é tão maduro. Lembrou que há uma certa dificuldade, porque o volume é muito grande, envolve inúmeros materiais para dar destinação, e há uma abrangência territorial. Hoje, a logística reversa ainda não é viável para se fazer com competência, com continuidade e com a destinação correta para cada material utilizado na construção do calçado.

Deivis Gonçalves afirmou que a NSS tem um estudo sendo feito com a Universidade Feevale. Concorda com Danilo, de que esta questão ainda é muito difícil de se tornar realidade no setor de calçados de segurança. E lembrou que para que isto seja possível, é preciso estar focado na logística reversa já na concepção do calçado. Hoje não seria possível fazer este trabalho, que ainda não é viável. A NSS está com projeto para 2022, com um EPI sustentável que poderá ser reprocessado e reutilizado, adiantou.

Luis Fernando Bianqui afirmou este é um assunto amplo e interessante, porque envolve desenvolvimento (materiais que possam ser reutilizados), a produção deste produto (que precisa passar por processos sustentáveis) e a destinação (depois da utilização, destinação correta). Só assim se teria a eficiência do processo circular. Hoje a Viposa tem fabricantes que fazem isto na Europa. É importante que o desenvolvimento precisa estar inserido no conceito circular, para que seja eficaz. Só ir na unidade recolher e destinar a um aterro, não tem nada de diferente, porque não seria eficaz. Este é um passo que com certeza o setor vai ter que dar no futuro.

 

Como as empresas conduzem seu marketing?

Perguntados sobre as formas como fazem marketing Deivis, da NSS, afirmou que para a marca o conceito de design está além do visual - está atrelado à funcionalidade dele. A gente sabe que trabalhadores têm resistência ao uso de EPIs. Acreditamos que porque o EPI nunca foi visualmente atrativo, satisfatoriamente bonito. Design tem relação com bem-estar e satisfação, e pode inclusive influir sobre a produtividade do trabalhador, porque o grau de satisfação acaba contribuindo para o melhor desenvolvimento de suas atividades. Nós acreditamos que o produto não precisa ser feio para ser seguro. É fundamental a importância do design em qualquer produto.

Como a Marluvas transmite aos seus clientes o marketing com o objetivo de finalizar a venda? Danilo afirma que design melhora tudo. Preocupação da marca é de que o design transmita a confiança para que o usuário tenha o conforto necessário para o desempenho de sua função de forma adequada, confortável, segura, e isto vai fazer toda a diferença. “Em termos de marketing, levamos para o consumidor que o visual é o resultado final de tudo o que foi feito em termos de desenvolvimento de tecnologias de conforto, desempenho e segurança para o dia a dia de cada usuário. A era do sapato preto, pesado e desconfortável não existe mais”, sentenciou o executivo da Marluvas.

 

Como vender inovação, agregando valor ao produto?

Luis Fernando Bianqui afirmou que a Viposa faz uma abordagem diferente, através de uma venda técnica, que mostra a performance do calçado. A Viposa está focada no desempenho técnico, que tem eficiência comprovada inclusive através de ensaios feitos no IBTeC. A eficiência do nosso calçado é provada através do uso - o retorno vem com a segurança e o resultado no desempenho do trabalhador. Os calçados da marca Viposa têm uma atenção especial em tecnologias, componente de conforto e que resultem na performance dos usuários.

Deivis Gonçalves afirmou que para a NSS, funcionário satisfeito produz mais; funcionário com calçado confortável produz mais. Ainda temos muito para percorrer neste caminho, mas estamos avançando, entende. Lembrou que vivemos um momento em que os EPIs estão em evidência, porque precisamos de máscaras para nos proteger do vírus, de roupas especiais. O assunto entrou para o cotidiano das pessoas.

Danilo de Oliveira afirmou que tem que haver um custo-benefício; a gente tem que entregar o melhor, e permitir que o funcionário tenha vontade de usar o calçado dentro e fora do trabalho, para que ele esteja protegido o tempo todo. Temos ainda que lidar com a cultura das empresas brasileiras, que enxergam o EPI como custo e não como investimento. Precisamos investir na sensibilização do mercado para esta questão.