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João Fernando Hartz e Maurício Wendling abordam “O futuro da exportação brasileira de calçados”, no Happy Hour com Tecnologia do IBTeC

João Fernando Hartz e Maurício Wendling abordam  “O futuro da exportação brasileira de calçados”, no Happy Hour com Tecnologia do IBTeC 15 SETEMBRO

Convidados para debater o tema “O futuro da exportação brasileira de calçados” em mais uma edição do Happy Hour com Tecnologia do IBTeC, os empresários João Fernando Hartz, diretor da Sunset Agenciamento e Intermediações e HG, e Maurício Wendling, gerente comercial da Calçados Wirth, traçaram um panorama do que esperam para o futuro próximo nesta área que tem sido motivo de excelentes resultados ao longo dos primeiros meses de 2022. Os dois convidados representam empresas que têm muita tradição na área de exportação, e que sempre estiveram ligadas à atividade, independentemente da situação do mercado internacional.

Maurício Wendling apresentou a Calçados Wirth lembrando que a corporação estará completando no próximo ano 75 anos de atividades ininterruptas. Hoje a empresa conta com 1.200 colaboradores diretos, responde por uma produção de 8.000 pares por dia, e exporta seus produtos para mais de 50 países.

João Fernando apresentou a Sunset, empresa de sourcing, ou como no Brasil costumamos chamar, uma companhia de exportação, que além de clientes internacionais, também atendeu o Grupo Arezzo por muitos anos. Lembrou que a Sunset é a sucessão da Star Export, a primeira empresa - companhia de exportações -  criada por seu pai, João Carlos Hartz, um dos precursores da exportação no Brasil. Em abril de 2022 a Sunset foi adquirida pelo Grupo Arezzo, e João Fernando tornou-se diretor da empresa no desenvolvimento de questões de exportações e sourcing. A HG, criada em 1992 com foco na produção de calçados para exportação, com as mudanças provocadas pelo crescimento do mercado asiático recebeu um novo rumo, e foi transformada em fábrica de bolsas, para atender especificamente o Grupo Arezzo, e hoje é a principal fábrica de bolsas do Grupo.

Questionado sobre o bom momento vivido pelos exportadores de calçados, que em 2022 acumulam mensalmente superávits significativos, João Fernando Hartz enfatizou que a chegada deste momento foi acelerada pela pandemia, mas é resultado de um movimento que já vinha sendo sentido no mercado internacional nos últimos anos. Grandes consumidores internacionais de calçados, especialmente Estados Unidos, já vinham tendo problemas com os fornecedores chineses, que davam sinais de saturação de sua capacidade de oferecer preços e garantir prazos de entrega. Com a chegada da pandemia, fechamento total da China e sem poder viajar para buscar novos fornecedores, países como Estados Unidos se voltaram para players que já tinham sua capacidade de produção e entrega reconhecidos. Foi aí que o Brasil se encaixou para um retorno à condição de parceiro comercial. Isto aconteceu especialmente com Estados Unidos e países da Europa, lembrou João Fernando. Foi desta forma que o Brasil teve a oportunidade de retomar relacionamentos antigos, abrir novas parcerias, e recuperar sua condição de exportador de calçados nos últimos dois anos.

Profundo conhecedor da realidade internacional, João Fernando já adianta que o segundo semestre de 2022 não oportunizará os mesmos números positivos, porque a economia americana já está vivendo uma exceção, e a Europa será atingida por consequências da guerra da Ucrânia, e deveremos ter um travamento dos negócios internacionais em geral. Os países do Hemisfério Norte, tanto Europa quanto Estados Unidos, estão super estocados, e não deverão manter o ritmo de compras que a gente observou no primeiro semestre, adiantou João Fernando.

A orientação que o empresário dá para quem trabalha com exportação, “é não desistir destes mercados, manter os contatos, aceitar fechamento de negócios com volumes menores, para assegurar os relacionamentos, e quando a economia voltar a crescer, a recuperação será automática e natural. O propósito da Sunset é nunca abandonar as exportações, como tem feito ao longo de todo este tempo. João Fernando enfatizou que ainda acredita muito nas exportações brasileiras de calçados, que continuarão sendo muito importantes para a nossa indústria.

Maurício Wendling afirmou que Calçados Wirth também nunca deixou de acreditar na exportação, e enfatizou que o Vale do Sinos está muito bem estruturado, com uma cadeia de fornecimento muito boa, empresas que atuam como agentes de interligação com o mercado internacional, e principalmente, uma história de muitos anos de contatos com os grandes compradores internacionais de calçados, que precisam ser mantidos e permanentemente alimentados. Lembrou o histórico da Calçados Wirth, que nunca deixou de exportar, nem nos momentos mais difíceis, porque o entendimento da empresa é de que os relacionamentos são o seu principal capital.

Para Maurício Wendling, o Brasil precisa reestruturar seu sistema exportador, “porque ao longo dos últimos 30 anos, com as perdas de participação no mercado internacional, as empresas se voltaram muito para o mercado interno. Neste momento especificamente, deveremos mais uma vez sofrer reveses provocados pela situação energética na Europa e pela retração da economia americana, mas a gente não deve desistir, assim como nós na Wirth não desistimos em outros momentos”. Lembrou que a Wirth estará na Micam, na Itália, uma das principais feiras da Europa, e uma das maiores do mundo. De acordo com o empresário, a Calçados Wirth nunca deixou de participar destas feiras, justamente para manter os contatos e solidificar as parcerias internacionais, independentemente de situação cambial ou realidade econômica internacional. Na opinião de Wendling, “a gente pode ter momentos mais consistentes nos próximos anos, se estivermos preparados”. No seu entendimento, as empresas exportadoras precisam manter os vínculos, “e inclusive investir para fortalecer estes relacionamentos”.

Sobre a questão de valor agregado dos produtos exportados pelo Brasil, João Fernando Hartz respondeu que “realmente, o Brasil é reconhecido por sua capacidade de produzir calçados em couro de ótima qualidade, com excelente acabamento. Nós temos mão-de-obra especializada para trabalhar a matéria-prima e temos as melhores tecnologias nas indústrias”. De acordo com Hartz, a vantagem competitiva do Brasil neste quesito está na qualidade e na procedência das matérias-primas, e não no preço, “embora a gente consiga ser muito competitivos”. E o empresário salienta neste ponto que “nós também estamos posicionados no mercado internacional como um grande fornecedor de chinelos, com Havaianas e Grendene, duas empresas extremamente importantes e dois produtos que dominam as exportações brasileiras”.

E como o Brasil vai desenvolver suas exportações de calçados daqui para a frente? “Com valor, trabalhando velocidade de entrega, produto de qualidade e com flexibilidade de volumes. Cada vez mais os mercados levarão em consideração tempo de abastecimento. O “pulo do gato” para a exportação brasileira poderá ser se posicionar através de velocidade em um produto pelo qual somos reconhecidos, que é o sapato de couro”.

Maurício corroborou com as colocações de João Fernando, lembrando que a Calçados Wirth tem  marca própria, e oferece também a opção de desenvolver coleção com designer próprio, criado pela equipe de designers da Wirth para ser produzida com a marca do cliente, um negócio que tem rendido importantes resultados para a corporação. Este formato oferece mais agilidade para o comprador. Maurício também enfatizou a questão da flexibilidade em relação aos volumes, como uma das fórmulas para o sucesso da Calçados Wirth.

Sobre a conquista de uma participação mais significativa em outros mercados, como Europa , João Fernando lembra que no continente o Brasil já tem uma participação que pode ser considerada importante, mas é um mercado que oferece muita concorrência para os nossos fabricantes, porque a produção europeia é forte, e tem grandes vantagens, como a proximidade geográfica, e com isto, a agilidade de entrega. Além de ter a China e a África como fornecedores muito próximos e que hoje estão muito estabelecidos como fornecedores de calçados para todo o continente europeu. Na opinião de Hartz, “o Brasil tem que pensar muito em quais os mercados a Ásia tem mais dificuldade em abastecer, e estas talvez sejam as nossas próximas grandes oportunidades”. Mencionou custos e disponibilidades para resolver questões logísticas, e sugere que o Brasil deve focar nos vizinhos da América do Sul como potenciais clientes. A ideia, segundo o empresário “é repensar nosso mapa, sem deixar de atender bem os mercados com os quais já temos relacionamento”. Quando se fala em mercados como Emirados Árabes, João Fernando entende que seja difícil, “porque vamos ter dificuldade de concorrer com preços, porque os custos com transporte e logística serão muito altos para compensar a venda de volumes menores. Mas é uma região que precisa ser vista com atenção”.

Perguntado especificamente sobre a Argentina, Maurício Wendling afirmou que apesar das dificuldades políticas e econômicas que o país vive periodicamente, é um mercado muito fiel, que gosta do produto brasileiro, e que quer a manutenção do vínculo, apesar de todas as barreiras que o governo cria o tempo todo. A Calçados Wirth exporta para a Argentina há 30 anos,” e eles acreditam muito na força do mercado brasileiro, e gostariam de comprar mais, mas sofrem com as travas impostas pelo governo argentino, que dificultam muito esta relação comercial”.

Pensando em futuro, João Fernando Hartz salientou que “o importante é manter a curva ascendente, através da alimentação dos relacionamentos que o Brasil já tem, e com a busca de novos horizontes. Maurício Wendling entende que o Brasil tem tudo para manter a curva ascendente de resultados nas exportações, “porque hoje a gente não está mais vendendo produtos apenas; a gente está vendendo imagem, conceito internacional”.

Na visão de Hartz, o Brasil já é um player importante da indústria calçadista no mercado internacional. Enfatiza que o país passou de um fornecedor de produtos para se transformar em um produtor de marca e design.

Você ainda pode assistir ao Happy Hour com Tecnologia clicando AQUI.

 

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