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Preocupação com transmissão de vírus é uma realidade que veio para ficar, acreditam debatedores do Happy Hour com Tecnologia do IBTeC

Preocupação com transmissão de vírus é uma realidade que veio para ficar, acreditam debatedores do Happy Hour com Tecnologia do IBTeC 20 NOVEMBRO

A preocupação com a disseminação de vírus é uma realidade que passou a fazer parte da vida de indústrias de todos os segmentos, e deverá exigir o desenvolvimento de tecnologias e produtos para proteger as pessoas. Este é o resumo da opinião de todos os participantes do Happy Hour com Tecnologia realizado pelo IBTeC na ultima quinta-feira.

A instituição reuniu o coordenador do Laboratório de Microbiologia do IBTeC, Markus Wilimzig; o diretor Técnico da Dublauto Gaúcha, Evandro Wolfart; o diretor geral da TNS Tecnologia, Gabriel Nunes, e o gerente técnico da RCA, Renato Cattini Filho, para discutir o tema  “Antivirais: tecnologias, aplicações e mercado”. O vice-presidente executivo do IBTeC, Valdir Soldi, foi o moderador do debate.

O Dr. Markus Wilimzig abriu as discussões, lembrando que “até março de 2020 o setor calçadista brasileiro pouco falava sobre vírus - as preocupações sempre foram chumbo e bactérias, além de outros microorganismos, e a partir de agora muitas outras questões farão parte do dia a dia das empresas”.  Perguntado sobre qual a diferença entre vírus e outros microorganismos, como fungos e bactérias, Markus afirma que vírus são só um pedacinho de material genético, como uma capsula ou como um envelope; só uma partícula infecciosa. E lembrou que os vírus precisam sempre de outra célula, que pode ser humana, de planta ou de bactérias, para se replicar. Com isto começam as doenças.

Na sequência, cada um dos convidados apresentou um histórico resumido de suas empresas, e dos produtos criados para enfrentar o Coronavirus.

Gabriel Nunes contou que a TNS tem onze anos, e surgiu a partir de um prêmio de inovação. A TNS está dividida em três áreas de atuação - área de química, área de care e de agro. A TNS exporta para 16 países. Especificamente na área de soluções antivirais, a empresa foi a primeira da América a lançar solução, e hoje está em oito países com sua tecnologia. De acordo com Gabriel, “somos uma startup catarinense que hoje tem reconhecimento no mundo”.

O gerente técnico da RCA, Renato Cattini Filho, apresentou a empresa que tem 20 anos de mercado, atuando nas áreas de têxteis e polímeros com parte de acabamentos especiais - compostos florados, acabamento retardante a chamas e linha de acabamentos antimicrobianos. De acordo com Renato, a RCA trabalha em parceria com uma empresa global, a Life Materials, com sede na Indonésia, atuando em todo o mundo.

Falando sobre acabamentos antimicrobianos, desde 1998 a empresa trabalha nesta área. Foi quando se iniciou no Brasil este conceito, nos mercados de colchões, tapetes e carpetes, que tinham preocupação de evitar alegrias. Evitar a proliferação de fungos e ácaros eram as preocupações na época. Ele enfatizou que a empresa tem praticamente todo o portifolio de princípios.

Sobre a situação vivida hoje pelo mundo, Renato afirma que “recentemente, com a introdução da necessidade de acabamentos antivirais, muitos dos produtos que a gente trabalha já demonstraram performance para esta demanda”.

Evandro Wolfart, diretor técnico da Dublauto Gaúcha, contou que a empresa existe desde 2003, e em 2006 iniciou pesquisas incorporando a nanotecnologia em têxteis, entre elas o antimicrobiano.

Com a entrada da pandemia, em março, começaram a testar os mesmos produtos que usavam em têxteis para fins antivirais, e os resultados foram muito positivos. Recentemente conseguiram subvenção para iniciar pesquisa para aprimorar o desenvolvimento na aplicação para EPIs em geral, utilizando prata, cobre e zinco como ativos. Estão em uma fase bem adiantada, com resultados excelentes para apresentar para o mercado.

Sobre como a empresa vem atuando para atender seus clientes na busca de soluções antivirais, Gabriel Nunes afirmou que “existe potencial imenso de que os antimicrobianos comuns, já conhecidos, pudessem atuar como antiviral. O que ficou constatado com as pesquisas é de que nem todos dão a resposta necessária”. Por isto, a TNS teve a preocupação de buscar formas de auxiliar os clientes, com soluções que fossem reconhecidas internacionalmente, através da ISO 18.184 e ISO 20.275, de forma que o produto fosse absorvido em todos os mercados. O destaque obtido pela TNS foi uma solução verde a base de nanoparticulas de prata que utiliza estabilizantes naturais com componentes de plantas. Nunes salientou que “o que ficou claro é que não basta ter ativo antiviral ou antibacteriano - ele tem que fazer mal para o vírus, sem afetar a saúde dos humanos”. Outro aspecto importante é a eventual mutacidade dos vírus, o que foi obtido com a entrega pela TNS Tecnologia de um produto que abrange uma série de vírus, graças ao efeito sinérgico de nossas tecnologias, a partir de 30 segundos da aplicação. O produto tem eficácia e solidez - a eficácia permanece acima de 99% mesmo com vários processos de lavação.

Renato Cattini lembrou que a RCA “já tem um histórico de pesquisa e produção de soluções antivirais, testados na eficácia antiviral com ISO 18.184, e verificaram que os princípios ativos mostravam eficácia antiviral de 99,99%. Observaram que as tecnologias atuais já existem no mercado - a prata vem sendo trabalhada desde 2007, depois o zinco, e agora princípios ativos a base de cobre.

De acordo com Renato, na indústria de calçados, no início se falava muito no princípio antiodor, e depois a preocupação passou a ser antifúngica, porque os calçados ficam muito tempo armazenados. Então, o setor precisa que o antiviral não afete estas outras questões, além do custo. De acordo com Renato, “nós testamos produtos já existentes, e percebemos que os princípios ativos atuais atendem a performance antiviral”. O que a empresa apresentou de novidade dentro do portifolio de princípios ativos já disponíveis, é a linha de acabamentos com princípios ativos naturais. Um produto 100% natural, extraído de plantas, que exerce as propriedades bacteriostáticas e antivirais.

Evandro Wolfart mencionou que para a aplicação do ativo em diferente materiais, há variações, e precisam ser feitos ajustes para materiais diferentes, em função de processos e temperatura. Ele afirmou que o que a Dublauto Gaúcha conseguiu a partir de março foi definir antimicrobianos que se mostraram efetivos como antivirais, transformando o produto em hidrofóbico, para que as gotículas não fiquem no material, diminuindo a sua disseminação.

Agora, a Dublauto está desenvolvendo um não tecido de poliéster, com alguns ativos que já são usados com antimicrobiano, e um não tecido com este tratamento - uma camada de adesivo autocolante para fazer cobertura de superfícies não porosas, com esta propriedade antiviral, o que a empresa vê como uma oportunidade de mercado. Já estão fazendo protótipos para apresentar ao mercado.

 

O MERCADO PÓS-PANDEMIA

Perguntados sobre como vai ser o mercado após a pandemia do coronavirus, os participantes do debate colocaram suas expectativas.

Gabriel Nunes lembrou que “a TNS não está focada apenas no coronavirus; temos herpesvrius, H1N1, uma série de outros microorganismos que estão por aí. Diante de tudo isto, acredito que a indústria não vai afrouxar a respeito do tema, não apenas para a questão de produtos antivirais, mas para as questões do nosso dia a dia”. Lembrou que em Hong Kong e China as máscaras passaram a fazer parte da vida das pessoas há muito tempo. Sobre as demandas do futuro, afirmou: “Acredito que os clientes continuarão preocupando-se não semente com antivirais, mas também com antibacterianos e antifúngicos, não só dentro de casa mas dentro das empresas, das indústrias e no ambiente comum”.

Renato Cattini afirmou que “o antiviral foi um movimento importantíssimo no sentido de alertar para questão da higienização e evitar contaminação cruzada. A gente entende que vai continuar esta preocupação, mesmo com a vinda da vacina. Há necessidade de a gente ter polímeros, tecidos, poliuretanos e outros materiais com antivirais e antimicrobianos. Pode ser que a pandemia passe, e a vacina venha, mas proteção continuará sendo necessidade no dia a dia das pessoas”.

Evando Wolfart afirmou que “desde 2006 que a Dublauto procura desenvolver antimicrobianos e antifúngicos. Acreditamos muito na importância da proteção para a não contaminação. A vacina vai ser para o coronavirus, assim como existe a vacina para o H1N1. Mas sempre haverá outros vírus e outros fungos. Na visão de Evandro, “no futuro todo tecido ou todo material plástico e embalagens vão ter que ter esta proteção. Ele entende que a pandemia promoveu a aceleração desta realidade. Daqui a pouquíssimo tempo nenhum tecido sairá da indústria sem proteções neste sentido. Isto não vai ter mais volta. Acredito muito que isto vai acontecer”.

Para Markus Wilimzig, “nós estamos no início do trabalho”. Lembrou que o Coronavirus é fraco, tem estrutura fraca. “Em outros vírus não envelopados necessitamos de outros reagentes, outros viricidas. E previu que “teremos muito trabalho para os próximos tempos”. E lembrou que o Laboratório de Microbiologia do Instituto está à disposição das industrias para o desenvolvimento de tecnologias e produtos para atender às demandas do mercado.

A próxima edição do Happy Hour com Tecnologia, a última do ano de 2020, está agendada para 9 de dezembro, e vai tratar do tema “Liderança - os desafios de comandar uma equipe em 2021”.

Como patrocinadores do evento, o IBTeC conta com ColorgrafCovestroGrupo StickfranKillingMerkator Feiras e EventosSolvay Group/Rhodia e Zahonero.