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Projeto que avalia a degradação de corantes de efluentes de curtumes extraídos de cascas da batata doce e da banana vence Prêmio IBTeC de Inovação na Mostratec 2019

Projeto que avalia a degradação de corantes de efluentes de curtumes extraídos de cascas da batata doce e da banana vence Prêmio IBTeC de Inovação na Mostratec 2019 31 OUTUBRO

As estudantes Kêmilly da Rosa Cardoso e Ágatha Behenck Afonso, alunas do quarto ano do curso Técnico em Química da Fundação Liberato Salzano Vieira da Cunha, são as vencedoras do Prêmio IBTeC de Inovação, da Mostratec 2019. A cerimônia de premiação foi realizada na noite do último dia 25 de outubro, no Teatro Feevale.

Elas apresentaram na feira um projeto que avalia a degradação de corante de efluentes de curtumes extraídos de cascas da bata doce e da banana.

Resumo do trabalho: O propósito deste trabalho é avaliar a degradação dos corantes do efluente oriundo do processo de tingimento do couro utilizando enzima peroxidase extraída da casca de batata doce e casca de banana. A razão do desenvolvimento desta pesquisa se deve ao fato de que esses efluentes gerados dificultam o tratamento convencional e podem modificar a atividade fotossintética do fitoplâncton onde forem descartados, já que diminuem a transparência da água, por causa dos corantes em excesso, afetando a passagem da luz solar. Enzimas são proteínas compostas por longas cadeias de aminoácidos unidos por ligações peptídicas. A peroxidase pertence à classe das oxidorretutases, sendo capaz de catalisar a redução do peróxido e a oxidação de diversos substratos orgânicos e inorgânicos. Entende-se que corantes são compostos orgânicos coloridos que quando em contato com seus substratos lhe conferem cor. A metodologia do trabalho iniciou com a extração em quadruplicata da peroxidase das cascas, após foi feita sua caracterização pela análise de espectroscopia de absorção molecular baseada na diferença de absorbância na região do visível quando em contato com peróxido de hidrogênio e guaiacol e em presença de tampão de Sörensen, durante 5 minutos. A peroxidase extraída da casca de batata doce e da casca de banana foi aplicada, separadamente, no efluente da indústria coureira e foram feitos testes por espectroscopia de absorção molecular, observando a diferença de absorbância no comprimento de onda ideal para cada corante, que foi determinada por uma análise de varredura do espectro (UV - Visível). No presente trabalho também foi adicionada a peroxidase nos corantes isolados Azul Dynavel 2R e Laranja Dynavel II e feitos os mesmos testes referentes ao efluente para análise da sua degradação. Por fim, também foi testada a estabilidade da peroxidase extraída após 24 horas de armazenamento e sua ação sobre o efluente e corantes isolados. Os resultados indicaram que a média da atividade enzimática da peroxidase extraída da casca de banana aplicada ao efluente foi de 0,006673 ± 0,005963 U/mL e da peroxidase da casca de batata doce aplicada ao efluente foi de 6,1708 ± 1,6871 U/mL, com o limite de confiança da média estabelecido pelo teste t de Student com um grau de confiança de 95%. Além disso, os testes de degradação dos corantes isolados e dos corantes no efluente apresentaram resultados positivos. Após as 24 horas, a peroxidase extraída de ambas as cascas apresentou um aumento de atividade enzimática e degradação positiva dos corantes isolados e dos corantes no efluente. Portanto, podemos concluir que foi possível extrair a peroxidase da casca de batata doce e da casca de banana, que a atividade enzimática da peroxidase da casca de batata doce é maior do que a atividade enzimática da peroxidase da casca de banana, sendo esta diferença estatisticamente significativa segundo o Teste F, e ainda, que a peroxidase extraída possui ação de degradação frente a corantes presentes no efluente da indústria coureira tanto no momento de sua extração quanto após ser armazenada por 24 horas.