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Sustentabilidade e tecnologias que agregam valor aos produtos foi tema do Happy Hour com Tecnologia

Sustentabilidade e tecnologias que agregam valor aos produtos foi tema do Happy Hour com Tecnologia 30 ABRIL

A necessidade de focar na busca permanente por novas tecnologias e por componentes que contribuam para a sustentabilidade dos produtos foi o tema do Happy Hour com Tecnologia do IBTeC, no final da tarde de quarta-feira, 28 de abril.

O vice-presidente executivo do IBTeC, Dr. Valdir Soldi, e o pesquisador e coordenador do Laboratório de Microbiologia do Instituto, Dr. Markus Wilimzig, foram os painelistas, mediados pelo editor da Revista Tecnicouro, jornalista Luís Vieira.

O mediador abriu a discussão lembrando que o debate seria sobre um universo “de criaturas que de tão pequenas só podem ser vistas pelos humanos através do microscópio, mas apesar disto elas geram consequências gigantescas para a humanidade, para a natureza e para o mundo dos negócios em si”. E salientou ainda que “até bem pouco tempo as discussões sobre microbiologia estavam relacionadas a uma abrangência muito restrita, de pesquisadores ou pessoas que trabalham em áreas com influência direta da microbiologia - que é o ramo da ciência, que estuda esta área de microorganismos, como bactérias, fungos e vírus. Mas a partir de 2020 isto tudo muda, com o surgimento da pandemia do Covid-19, forçando 7 bilhões de pessoas no mundo inteiro a mudar seus hábitos sanitários e de convivência - que arrasou a economia, ceifando muitas vidas - obrigando a Ciência a acelerar os estudos para colocar vacinas à disposição das pessoas.

Com tantas mudanças, o mundo dos negócios também teve que se reinventar. Empresas tiveram que encontrar novas maneiras para sobreviver. Entre elas, estão a criação e aplicação de tecnologias para incorporar materiais com potencial para combater a ação destes microorganismos e de outros, que são nocivos à saúde humana e ao meio ambiente.

As discussões da noite começaram com o Dr. Markus Wilimzig, falando sobre a implantação do Laboratório de Microbiologia do IBTeC, para oferecer ensaios em áreas como de calçados, artefatos, tecidos, plásticos, tintas e EPIs. O coordenador do laboratório do instituto contou um pouco do histórico do laboratório, e sobre o crescimento da demanda, especialmente a partir do surgimento e utilização de normas, inclusive internacionais, para avaliação de microrganismos nos componentes do calçado. Sobre o momento da pandemia, Wilimzig chamou a atenção para o fato de que “o mundo está se dando conta de como estruturas tão pequenas como os vírus, podem influenciar tanto a nossa vida”.

Dr. Valdir Soldi, abriu sua participação enfatizando que “é fundamental falar um pouco sobre o que a gente vem fazendo no Instituto, o que na verdade já começou muito antes. Soldi afirmou que a nanotecnologia tem sido foco de intensas pesquisas nos últimos trinta anos, principalmente em áreas da saúde, como no encapsulamento de substâncias capazes de combater microorganismos como vírus e bactérias.

O vice-presidente executivo do IBTeC explicou que “no momento em que se pensou em fortalecer o Laboratório de Microbiologia, ficou claro que existem muitas novidades sendo utilizadas no mercado, e isto precisa ser trabalhado”. Como pesquisador com muitos anos de experiência, lembrou que “não se implanta novas tecnologias de um dia para o outro”.

Sobre a busca por novas alternativas que se aceleraram com a pandemia, Soldi salientou que “temos trabalhado intensamente para que a gente possa atender às demandas que as empresas nos apresentam”. E adiantou que “estamos pensando em nanotecnologia e em soluções sustentáveis; é o que hoje está no foco do Instituto”.

O Dr. Markus Wilimzig falou do trabalho que já vem sendo feito para o setor de calçados, na busca de materiais biodegradáveis, e de componentes que ofereçam segurança ao usuário no sentido de combater fungos e bactérias, como os que afetam os calçados no aspecto de cheiro, por exemplo. Wilimzig salientou que o Laboratório de Microbiologia do IBTeC já realizou vários trabalhos com sucesso nesta área, em parceria com empresas que trabalham na entrega de soluções para o setor.

O Dr. Valdir Soldi levantou o assunto do uso de nanomateriais, nos mais diferentes segmentos da indústria internacional, uma das grandes tendências para o futuro próximo.  “Há inúmeras áreas onde a nanotecnologia é aplicada. Talvez a principal seja na área de fármacos, que hoje representa um percentual enorme em tudo o que se estuda no mundo, principalmente no transporte e controle de liberação de ativos (medicamentos) direcionados a diferentes regiões do corpo humano”.

Soldi salientou que o IBTeC já vem desenvolvendo pesquisas, em parceria com empresas brasileiras e universidades, envolvendo óleos essenciais para combater a proliferação de fungos e bactérias.

Sobre o futuro, o vice-presidente executivo do IBTeC afirma que um dos materiais que consomem grande energia de pesquisadores no mundo é o uso do grafeno, que vem sendo utilizado em muitos segmentos. Especificamente no setor de calçados, “temos alguns fabricantes de esportivos incorporando grafeno no solado, para dar leveza e contribuir na performance”.

Mas também há estudos de uso do grafeno como inativador de fungos e bactérias, inclusive uma pesquisa feita por pesquisadores brasileiros, com financiamento da FAPESP de SP, utilizaram folhas de óxido de grafeno colocadas sobre um material com bactérias e incidiram luz de LED para ativar o grafeno e, dessa forma, inativar o microrganismo. É um estudo bastante completo, que mostra que a luz de LED com óxido de grafeno provoca a inativação total de dois tipos de bactérias. São materiais nanoestruturados que têm uma função importante. Soldi entende que a nanotecnologia tem este viés de também ser uma parceira direta de todos os processos e fenômenos microbiológicos.

Para o futuro, “já há uma tendência de se ter materiais melhores. Sem dúvidas, a empresa que se colocar na frente, que começar a trabalhar mais fortemente neste ramo vai ter mais sucesso”, sentencia Soldi.

O grafeno, por exemplo, embora seja um material ainda considerado caro, é uma tendência para uso em muitos segmentos, inclusive o calçadista, acredita o Dr. Valdir Soldi. O grafeno em pequenas quantidades (até 3%) já foi utilizado em solados de calçados esportivos e em EPIs, por exemplo, para reduzir o escorregamento. Normalmente se tem um solado 50% mais seguro. “Embora ainda se tenha pouca aplicação para este segmento, este é um material que poderá ser muito útil para tornar calçados de segurança mais leves e mais seguros, e para contribuir com o conforto. Embora seja extremamente leve, o grafeno é 200 vezes mais forte que o aço. Você usa quantidades pequenas para ter muito mais efeitos nas propriedades, com resultado melhor para calçados e produtos têxteis, por exemplo”. A questão de custo pode ser em parte solucionada com o uso de óxido de grafeno, que é um derivado do grafeno, que tem um custo menor.

O Dr. Markus Wilimzig informou que com o aparecimento do Covid-19 aumentou a procura pelo trabalho do Laboratório de Microbiologia do IBTeC. “As empresas estão empenhadas em buscar alternativas para inativar o coronavírus”, afirma o pesquisador. Ele chamou a atenção ainda para o fato de que “precisamos pensar no futuro, quando outros vírus virão”. Citou dengue, chicungunha, ebola, dentre outros que deverão exigir atenção do setor de pesquisas. “Então, a perspectiva é de que devamos ter esta preocupação ainda por muito tempo no futuro”.

 

SUBSTÂNCIAS DE USO RESTRITO E O TRABALHO DO IBTeC

Um dos pontos de discussão do Happy Hour com Tecnologia foi a questão das substâncias de uso restrito, e o trabalho que o IBTeC vem fazendo para apoiar as indústrias brasileiras, através do Laboratório de Substâncias Restritas, da instituição.

O jornalista Luís Vieira lembrou que “a exigência iniciou com o Regulamento REACH, que ganhou corpo no mercado internacional, e norteou a maioria das normas no mundo”.  O professor Soldi respondeu lembrando que ainda em 2021 deve haver uma norma brasileira, inicialmente de uso voluntário, mas o Brasil deverá se encaminhar para a normatização desta questão.

Especificamente no setor calçadista, onde o IBTeC atua mais fortemente, a cadeia está se adequando até muito rapidamente, entende o vice-presidente executivo. Soldi afirma que “há um crescimento do número de empresas que se preocupam com isto. Especialmente daquelas que exportam, que estão adequadas a estas exigências, e controlam todos os aspectos de substâncias químicas presentes em seus produtos. Já há uma adequação muito significativa das indústrias brasileiras de componentes e matérias-primas, “o que significa que a cadeia está se adequando de forma muito positiva”, afirma Soldi, lembrando que “ainda temos alguns problemas, especialmente nos materiais poliméricos, mas no geral a tendência é uma redução muito significativa”. O pesquisador acredita que “em um futuro bem próximo, devemos chegar aos 100% de controle”.

No portfólio de serviços dos laboratórios do IBTeC estão a realização de pesquisas em parceria com as empresas para criar novos produtos, realização de ensaios para emissão de laudos e certificações, explica o professor Soldi. Ele afirma ainda que “o que a gente percebe no mercado mundial é que o perfil do consumidor está mudando; ele se incomoda com a compra de um produto que não esteja em sintonia com práticas sustentáveis, tanto em produtos quanto em processos” Esta é uma preocupação mundial que precisa estar no foco de empresas de todos os segmentos, acredita o professor Soldi. Ele exemplifica que os mercados mais sensibilizados para questão da sustentabilidade são Europa e Estados Unidos, que têm uma cultura um pouco diferente”. E finaliza lembrando que “o mundo inteiro discute sustentabilidade, em todos os setores”.

Como patrocinadores do evento, o IBTeC conta com Solvay Group/Rhodia e Zahonero.